UERJ EM GREVE #uerjresiste

Exibição do filme: El Pueblo que falta
Seguido de debate com os diretores:
André Queiroz & Arthur Moura

Cartaz de Divulgação da exibição de El Pueblo Que Falta na UERJ no próximo dia 20 de julho de 2016

 

Caro Felipe, escrevo-te esta carta aberta como leitor de O Dia. Mas te escrevo como observador dos atos de imprensa. Te escrevo como alguém que escreve (para tão poucos) na direção de alguém que escreve para tantos, para muitos.

Gostaria de apontar como li a tua matéria - http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/odia24horas/2016-06-22/manifestacao-interrompe-circulacao-do-vlt-na-avenida-rio-branco.html

E perdoa-me se, por ventura, te parecer duras as críticas que te volto. Te confesso que é na intenção de buscar fazer-te refletir sobre alguns pontos, ou talvez como alguém que tenha na cabeça certo modo do fazer jornalístico que (já) não cabe nas atribulações do cotidiano das redações dos jornais corporativos de que estamos sob cerco. Confesso que penso em Rodolfo Walsh e o tenho como paradigma de trabalho verdadeiramente sério em jornalismo. Trabalho este, o de investigação, com esmero na busca da compreensão dos fatos históricos, mas também e, sobretudo, na certeza de que por detrás dos fatos, a história nos apresenta processos conturbados nos que as tensões sociais são expressão de disputas e de interesses. Rodolfo Walsh imprimia em seus textos e em sua escrita a necessária condição da investigação - o que é dizer: evitava, sobremaneira, os lugares comuns, os adjetivos ao conforme, a repetição dos temas, justamente o contrário, do que se busca assentar os próprios meios de comunicação. No caso desta matéria a que me volto, os preconceitos incriminadores com relação às lutas sociais.

 

Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Programa de Pós-Graduação em Filosofia

Caros participantes do 1º COLÓQUIO NACIONAL DE FILOSOFIA MICHEL FOUCAULT,
A programação resumida que acabo de enviar contém alguns equívocos. Peço, portanto, que vocês a desconsiderem e levem em conta a programação que segue abaixo:

DIA 07/06:

14:00 Cesar Candiotto (PUCPR) – Entre a Revolução e a Subjetivação: um olhar sobre o pensamento de Foucault entre 1976 e 1984

14:30 André Yazbek (UFF) – Do Intelectual universal ao intelectual específico: da teoria e da prática política nas obras de Jean-Paul Sartre e Michel Foucault

15:00 Guilherme Castelo Branco (UFRJ) – O iluminismo francês na leitura de Michel Foucault

INTERVALO

16:00 CONFERÊNCIA de Roberto Machado (UFRJ) – Um pensamento desconcertante

DIA 08/06

14:00 Helton Adverse (UFMG) – Foucault e Lefort: a lei, o Poder, e o Saber

14:30 Giovana Temple (UFRB) – Corpo, produção e utopia

15:00 Marcos Nalli (UEL) – Biopolítica ou Biotécnica?

INTERVALO

16:00 Malcom Rodrigues (UEFS) – Foucault e as confissões da carne

16:30 André Queiróz (UFF) Girar ao revés o parafuso da infâmia: Urondo- Walsh. literatura e política

DIA 09/06

14:00 Luiz Celso Pinho(UFRRJ) – Parresia-Filosofia-Vida

14:30 Marcos von Zuben(UERN) – Ontologia do presente e acontecimento: as práticas da liberdade

15:00 Vera Portocarrero(UERJ) Algumas implicações do tema dos discursos de verdade no pensamento tardio de Michel Foucault

INTERVALO

16:00 Ernani Chaves(UFPA) “Nietzsche é o filósofo do poder”: teoria do conhecimento como política

16:30 Chopp em tempos de dinheiro escasso (no bar ao lado)

Em caso de dúvidas, vocês podem consultar diretamente as paginas de divulgação do evento (http://www.lfc.ifcs.ufrj.br/index.php/eventos/ e/ou http://www.pgfi.uff.br/index.php/i-coloquio-nacional-de-filosofia-michel-foucault/) ou podem entrar em contato diretamente com a comissão organizadora. Lamento o equívoco da mensagem anterior.

 

Dia 15 de junho, quarta-feira, 18h, tem Cineclube do GRECOS especialíssimo na Sala InterArtes, no IACS (rua Lara Vilela, 126). Vamos exibir o filme "El Pueblo que falta", dirigido por André Queiroz, professor do curso de Estudos de Mídia, e Arthur Moura, seguido de debate com a presença dos diretores e dos convidados Fabián Núñez, do departamento de Cinema e Audiovisual da UFF, e Victoria Grabois, presidente do grupo Tortura Nunca Mais/RJ. A mediação é de Lia Ribeiro, graduanda de Estudos de Mídia e bolsista de pesquisa no LAMI - Laboratório de Mídia e Identidade (e também autora do cartaz do evento, a quem já agradecemos). Fundamental para pensarmos nos tempos idos e atuais, imperdível! Parceria GRECOS, LAMI e IACS. Todos convidados!

 

 

 

Espaço Cultural CASA DO LAGO
Data: QUARTA FEIRA 01/06
Horário: 16h e 19h
Título: EL PUEBLO QUE FALTA (2015)
Direção: ANDRÉ QUEIROZ

Sinopse: Como se pode resistir face a um poder absoluto desmesurado? Como se pode atravessar a contínua e regular violência de Estado? Onde os companheiros para a travessia em direção ao porvir que, desde agora, se trata de constituí-lo? El Pueblo que Falta trata do resgate do processo histórico das lutas revolucionárias em América Latina, mais especificamente em Argentina, Brasil, Chile e Perú. Não se trata de mais um filme acerca das violências depositadas a um tempo de não-mais, espécie recuada de passado sem vasos comunicantes ao agora que experimentamos.

 

mãos segurando batatasAs batatas não eram para todos...

para Rafael Braga

E o homem, em meio aos seus andrajos, trazia consigo uma garrafa de álcool e três punhais. As gentes do prédio ocupado - diz-se que era o Palácio Capanema, não conseguiam conter a apreensão. Armaram-se em autodefesa: ágeis, em linha, voluntariosos. Podia-se escutar o disse-me-disse sob os modos do sussurro: 'deve ser um infiltrado' 'nos tempos de hoje, todo cuidado é pouco' 'todos sabem que os fascistas saíram do armário' - era de algo assim os ditos a mobilizar a turba dos ocupantes. Em três tempos, conseguiram imobilizar o intruso, tomar-lhe os objetos cortantes, sacar-lhe das mãos o líquido inflamável. O homem se debatia a ver se conseguia falar algo. Parece que trazia na boca uma lâmina. Diz-se isto um dos que o imobilizaram.

Pequeno inventário dos infortúnios do agora, esta cena. É que estava-se em festa àquela hora. Os convivas se preparavam para deixar o Palácio Capanema. Estavam orgulhosos de sua conquista. Os rumores provindos da Capital Federal anunciaram o recuo dos gestores do Golpe. A porta do Ministério suprimido seria reaberta. E bastou que se anunciasse este pedaço de notícia, que foi um tal de espocar de fogos de artifício, que foi um tal de bater panelas sob os ritmos de samba antigo, que foi um tal de apitaço e de efusivos abraços, que fez lembrar a quem dividia aquele recinto que não havia diferença que os fragmentasse, pelo contrário, que era da soma das diferenças que se fez valer a força do pleito, e era tanta a força que emanava de ali, que a Casa Grande do Palácio Central reabriu a porta que fora trancada de forma arbitrária.

 

Foto de Bergman tomando chá em intervalo das filmagens

ENTREVISTADOR - Se um jornalista, a quem não se pudesse identificar por julgar-se dono das perguntas e por esses trâmites jurídicos de que se valem os media, perguntasse a você sobre boatos de que Cenas de um Casamento fora realizado como “indireta” à Liv Ulman, o que dirias? O que responder a um jornalista a quem não se pode nomear e que insistisse, como faria um tabloide de fofocas sobre celebridades, em que haveria intenção em Bergman de submeter sua ex-mulher Liv à convivência com a sua atual companheira? Ao fi

m e ao cabo, o suposto e fictício jornalista poderia salpicar duas questões mais, tais como “Qual o papel de Cenas de um casamento na obra de Bergman?” ou “Qual papel teria o texto existencialista acerca do casamento em tempos pós-revolução sexual?” ou ainda e talvez antes, “apesar da possível indireta para Liv, o texto do filme é tão profundo que seria difícil qualificá-lo como meramente biográfico”. O que dirias a este jornalista, se um tal houvesse?

ANDRÉ QUEIROZ - Creio ser frágil tomar uma obra desde a perspectiva autobiográfica. Seria reduzir o que se faz àquilo que se viveu, como se fosse meramente do 'umbigo' o de que se relata. Todo modo, claro está, sempre se está atravessado pelo que se vive - mas diria que em uma perspectiva mais ampla, histórica, mundial, geográfica. Somos seres constituídos pelos elementos do tempo histórico que vivemos. Por exemplo, Fernando Pessoa a mencionar o rio de sua aldeia que lhe seria maior que o Tejo. É o rio que o atravessa, que constitui parte do imaginário de sua infância. Tantas vezes é ali que nos banhamos: braçadas, mergulhos, certo naufrágio experimentado na ausência de fôlego. Mas o rio de nossa aldeia será onde que ele desemboca? Talvez que na direção do esquecimento das origens como quando se turvam as águas para além de um encontro de rios. E já nada lembra ou remete àquele que se era. Lembro do Raduan Nassar que escreve na voz do narrador de Lavoura Arcaica que cada passo para longe o levava na direção da casa. Pode parecer a afirmação de um eterno retorno. Pode parecer que nunca se escapa do autobiográfico, ou da autoreferência, mas podemos pensar também que o tempo é inexorável, sem regressos e promessas. Bergman, por exemplo, é alguém que afirmou isto o tempo inteiro. Mesmo que ele, supostamente se revisite, como por exemplo em filmes como Crianças de Domingo, ou em Fanny & Alexander. Mas veja bem - falo de forma alegórica: a casa que nos chega nunca é a mesma casa, nunca é aquela da que saímos. Estamos sempre nesta curva, neste interstício, e Bergman afirma isso sem pesar, sem sofrer a melancolia dos que não suportam a travessia.

 



Rodolfo Walsh foi oficial de inteligência, e um dos responsáveis pelo setor de imprensa, da organização político-militar Montoneros entre 1973 e 1977. Havia militado anteriormente na FAP (Forças Armadas Peronistas) - que veio a se fundir com Montoneros ao final de 72. Eram organizações políticas que reivindicavam o peronismo combatente atrelado às bases sindicais e de, de forma mais ampla, às lutas políticas e sociais das camadas populares. Anteriormente, ao final dos anos 60, Rodolfo foi o responsável pela organização do Semanário da CGT de los Argentinos, central sindical combatente que rechaçava os acordos de cúpula da burocracia sindical que se ocupava das outras centrais de organização dos trabalhadores. Eram os anos do Vandorismo, como mais tarde, serão os anos do Ruccismo, modo de expressar o peleguismo sindical atrelado às políticas de Estado e aos seus governos de turno, inclusive aos projetos da ditadura de segurança nacional entre os anos de 66-73 que massacrava os trabalhadores para dar prosseguimento às políticas de transferência de recursos, os ajustes fiscais, ao setor financeiro e exportador, ao grande Capital internacional/nacional, assim como a incipiente industrialização mantida sob o regime da hiperexploração do trabalho. Rodolfo Walsh era escritor e periodista. Foi com seu livro-reportagem Operação Massacre que se criou o gênero de não-ficção (ficção periodística) atribuído, por ignorância e desfaçatez disseminadas pelas trampas culturais, a Truman Capote com seu A Sangue Frio, publicado uma década depois do livro de Rodolfo W. Operação Massacre foi publicado em 1957 e A Sangue Frio, em 1966. Rodolfo escreveu outros dois livros de periodismo combativo e militante: Caso Satanowski e Quien Mató a Rosendo? (este último a denunciar as patotas assassinas a serviço dos interesses espúrios da burocracia sindical argentina aos anos 60). Escreveu também livros de contos policiais (e é uma das referencias no que diz respeito ao tema em América Latina): Variacciones en Rojo; Un Kilo de Oro; Los Ofícios Terrestres e Un Oscuro día de justicia. Seu conto Esa Mujer é considerado o melhor conto da literatura argentina (o que, ressalte-se, pouca coisa quer dizer... face ao de que se trata, qual seja: a de um escritor que pleiteava que Escrever é escutar!)

 



O cineclube Cine Nikiti exibe na quarta-feira, 18 de maio de 2016, às 19h, no Solar do Jambeiro, o documentário "O Povo que Falta", de André Queiroz e Arthur Moura. A entrada é franca e após a sessão, com duração de 80 minutos, haverá um debate. Cine Nikiti faz parte da programação do Projeto Tela Solares.

O documentário trata do resgate do processo histórico das lutas revolucionárias na América Latina, mais especificamente na Argentina, Brasil, Chile e Peru. Não se trata de mais um projeto simplesmente acerca das violências e de um processo revolucionário longe de nossa realidade ou de um momento romântico da luta política – uma espécie recuada de análise do passado. "O povo Que falta" ressalta a importância e a necessidade da luta revolucionária e coloca em cheque as democracias estabelecidas a partir da violência estatal.

 

Evento encerrou atividades de mobilização na UEPG no dia 29 de abril

por Ana Istschuk e Lucas Cabral e Nicolas Rutts

Sexta-feira, 29, foi marcada por manifestações em memória de um ano do massacre dos servidores públicos ocorrido em 29 de abril, no Centro Cívico, em Curitiba. Entre as atividades programadas, o projeto Tela Alternativa promoveu uma sessão extra de exibição de filme, seguida de debate, que fechou o dia. O filme apresentado foi "O povo que falta", dirigido por André Queiroz, que esteve presente no evento e participou da discussão.

 
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